BELEZA ODISSEIA ART DÉCO: A ALEGRIA MELANCÓLICA

Esta é a décima coleção em que, viajando na proposta de Ronaldo Fraga, concebo a beleza do seu desfile. Nesses anos muitas foram as histórias e personagens – da cantora Nara Leão ao arquiteto Athos Bulcão, da China ao rio São Francisco, da coreógrafa Pina Bausch à América Latina. Em diálogo com as ideias de Fraga, crio as minhas.

Para este verão o nosso olhar mira a obra e a época de Noel Rosa. Deu samba: embarcamos rumo ao Rio de Janeiro dos anos 1930. Eu me embebi da poesia do compositor da Vila Isabel. Foi como se tivesse feito uma viagem no tempo e, de repente, lá estava em um baile do carnaval de 1935. Naquele salão art déco, a atmosfera era um misto de alegria melancólica, lança-perfume, batalhas de confete, marinheiros e damas de um cabaré da Lapa.

Voltei dessa good trip imaginando uma maquaigem na qual cristais colados na pele traduzem o espírito dos pierrôs apaixonados. Para as cabeças, lixei, colei, queimei, costurei, brinquei, pintei dálias, instrumentos e notas musicais, que estão presos por um cabelo texturizado. Viajei enfeitiçado pela obra atemporal do poeta da Vila e do artista mineiro, amigo e mestre Ronaldo Fraga.

Fotografia: Agência Fotosite / Marcelo Soubhia / Zé Takahashi / André Conti