Com música ao vivo, clima intimista e minimal, Fernanda Yamamoto deu seu recado de artesanalidade adicionando uma experiência de slow fashion: trouxe menos looks na passarela do SPFW, 20 no total. Um recado para diminuir a velocidade do entendimento e gosto pelas peças. Enquanto alguns estilistas se direcionam para a rapidez do “see now buy now”, ou seja, “veja agora e compre agora”, Fernanda quer nos contar todo o “antes” da peça estar pronta. O processo criativo vem como algo relevante para a peça final, como a utilização da técnica de upcycling, o aproveitamento dos tecidos. O consumidor desta moda será provavelmente aquele que quer a transparência do “made in”, uma das tendências de comportamento de escolha.

“Este é um trabalho que fala novamente das questões que considero as mais pertinentes para os dias de hoje: o tempo, o trabalho manual, as relações humanas e o que está por trás da superfície, do aparente”, informou a estilista.

Mas como moda também é superfície e aparência, o visual geral das peças dessa coleção traz uma harmonia de diversos formatos, como se fossem prismas. O trabalho do modelista Fernando Jeon foi exatamente o de desconstruir o que seria uma alfaiataria “esperada”. (JULIANA LOPES)

DIREÇÃO CRIATIVA
Fernanda Yamamoto

BELEZA
Marcos Costa

STYLING
Paulo Martinez

TRILHA
Juliana Perdigão, Thomas Rohrer e Mauricio Maas

Fotografia: Agência Fotosite / Zé Takahashi / Marcelo Soubhia / Sérgio Caddah