A coleção de Enéas Neto para Vale da Seda trouxe uma ode à evolução do material seda, partindo do casulo e chegando a organza. Em saias esvoaçantes e looks que aproveitam o comportamento dos materiais para criar uma cena leve. “A ideia também foi mostrar a ação do tempo sobre os tecidos, alguns aparecem desgastados por exemplo, com cores pastel”, explica Enéas, que há dois anos trabalha para a marca que desenvolve parceria com vários estilistas. O trabalho da Vale da Seda com Enéas Neto foi selecionado para participar do Projeto Estufa, programação de desfiles dentro da SPFW que foca em novos modos de fazer moda.

O modo de fazer moda pensado por Enéas é aquele que leva em conta, e fomenta, o consumo consciente. Nas etiquetas ele disponibiliza um código QR que permite ao consumidor investigar informações de procedência daquela peça. Como, por exemplo, a quantidade de carbono que foi emitida, a quantidade de pés de amoreira que foi necessária para produzir cada look. As folhas da amoreira são alimento para o bicho-da-seda produzir o casulo que dá origem aos fios da seda. “O consumidor de hoje lê rótulos não só do que come, mas também do que veste”, explica Enéas, que assim aprofunda e abre a visão dos compradores que podem entender do que e como é feita a moda que veste. (JULIANA LOPES)

 

Fotografia: Agência Fotosite / Paulo Reis / Marcelo Soubhia